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07maio
Fórum Iniciativas pelo Brasil debate perspectivas para o mercado de soja

Produtores rurais, analistas de mercado, empresários e representantes de entidades ligadas à agropecuária reuniram-se nesta terça, dia 6, em Não-Me-Toque, no Noroeste do Rio Grande do Sul, para debater as perspectivas para o mercado doméstico e externo de soja. O fórum Iniciativas pelo Brasil, mediado pelo jornalista João Batista Olivi, integrou o evento de encerramento nacional da colheita de soja e teve transmissão ao vivo do Canal Rural.

A relação comercial com China e Estados Unidos nortearam o debate. O país asiático é o principal importador da soja brasileiraque em 2013/2014 bateu novo recorde, de 86 milhões de toneladas, um aumento de 5,6% em relação ao ciclo anterior, de acordo com estimativa da Conab. Com o crescimento da renda da população chinesa, a tendência é de que os padrões de consumo se alterem e a dependência por alimentos do Brasil aumente. É o caso do milho, que pode ser mais representativo no cenário de exportações.

De acordo com Liones Severo, analista de mercado da SIM Consult, o Brasil poderá sofrer com problemas de abastecimento interno, já que vendeu quase 70% da soja. No entanto, a presença de El Niño nos Estados Unidos pode gerar uma crise de escassez semelhante à de década de 1930, colocando o Brasil em uma posição mais competitiva em relação aos concorrentes. O Sul do país poderá ser uma das regiões beneficiadas com o fenômeno climático.

– A maior crise, em consequência da seca nos EUA, foi na década de 30, e também em 1972 e 1973, quando o El Niño fez com que cardumes das costas se afastassem, diminuindo a pesca e incentivando a proteína de soja, que sustenta rebanhos e o alojamento de aves. Analistas apontam para uma similaridade do impacto do El Niño em 1936 e agora. A situação também não está boa na Austrália e na Ucrânia – observou o analista.

Nesta terça, a Avaliação Nacional do Clima, um estudo do comitê consultivo federal dos EUA, produzido por mais de 300 especialistas, apontou para um prejuízo de milhões de dólares no país devido a interrupções climáticas graves. Em comunicado, a Casa Branca falou sobre a necessidade de construção de um futuro sustentável no país.

Para o representante da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, o coordenador da Câmara Setorial de Agroenergia, Valdir Pedro Zonin, o Brasil deveria insistir na venda de farelo e óleo de soja ou de carne para a China a fim de abastecer o mercado interno.

– Se continuarmos disponibilizando grãos, eles comprarão para o resto da vida. Se a gente disser que não tem grãos, tenho certeza que eles comprarão farelo, óleo ou carne. Aí teremos PIB, incremento renda e benefícios sociais. Do jeito que está, tenho minhas dúvidas – declarou.

O analista da SIM Consult, que já trabalhou para o governo chinês, rebateu, afirmando que se o país ficar dois meses sem comprar soja em grão, a economia brasileira quebra.

– A soja que a gente exporta é nossa sobra. Damos incentivo à indústria de automóvel e não à de alimentação. É uma incongruência. Não devemos pedir ajuda para o governo. Somos os melhores produtores do mundo, com a melhor produtividade, qualidade, os melhores recursos naturais do mundo. Ouvimos do presidente da OCDE que o Brasil tem todos os recursos para ser o celeiro mundo, e temos os recursos humanos também, que são os produtores – ressaltou Severo.

Zonin também levantou a falta de estímulo à cadeia de biodiesel, que tem a soja como uma das matérias-primas, como um entrave ao setor.

 – O Rio Grande do Sul tem condição de defender o B10 [diesel com 10% de biodiesel na mistura] e esmagar 10 milhões de toneladas de soja para o biodiesel. Há anos reivindicamos isso, estamos preocupados com a estagnação da política do biocombustível, que é prejudicado pela política da Petrobras, nada sustentável. Nossa política é lastimável – disse Zonin, acrescentando que o pequeno produtor não vai ter renda este ano. Segundo ele, a produção de batata doce para o etanol gera o dobro de receita em relação à soja na mesma área plantada.

Biotecnologia e redução de custos

Em seu pronunciamento, o gerente regional de Soja da Monsanto, Tales Pezini, ressaltou a importância do plantio de áreas de refúgio, que é a semeadura de um percentual de soja convencional nas lavouras transgênicas. Ele aconselha os sojicultores a planejar a lavoura a longo prazo, o que pode garantir rentabilidade no futuro.

– O agricultor deve pensar sua propriedade em resultados a longo prazo, e plantar refúgio é pensar a longo prazo. O correto é plantar 20% de área de refúgio, que não pode estar a mais de 800 metros da lavoura de Intacta. Essa é a recomendação nacional, e nessa área deve se fazer o Manejo Integrado de Pragas para soja. Entendemos a dificuldade operacional do produtor, mas temos equipes técnicas que auxiliam o agricultor a estruturar a lavoura – explicou Pezini.

O presidente da Brasmax Genética no Brasil, Santiago Schiappacasse, ressaltou que, muitas vezes, o custo da soja BT não compensa o benefício da tecnologia. Segundo ele, esse é o grande desafio das empresas que promovem a tecnologia, “já que a indústria não acaba dando aporte positivo ao produtor”.

Sobre a tendência de alta nos preços verificada no mercado de soja, Anildo Betencourt, gerente de Desenvolvimento de Mercado da Bayer CropScience para o Sul, comentou que a desvalorização do real diante do dólar impede que a remuneração dos produtores seja maior.

– Este seria o grande momento da agricultura brasileira. Talvez a gente veja, daqui para a frente, US$ 15,00 por bushell, mas vimos poucas vezes no passado.

Para Schiappacasse, apesar das dificuldades, os últimos anos de agricultura no Brasil foram uma revolução.

– Vamos ter uma grande oportunidade de alimentar o mundo – concluiu.

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