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17jul
Entrevista: Erni Orlando Roos – Sementes Que Plantei

 Como o menino que trabalhou no cabo da enxada construiu um império sólido

Obra autobiográfica do empresário Erni Orlando Roos, um dos maiores produtores de sementes do Brasil, nascido na localidade de Arroio Bonito, interior de Não-Me-Toque, está chegando às mãos dos amigos, funcionários, clientes e autoridades. Depois de dois anos de relatos, pesquisa, edição de textos e revisão, a obra “sementes que Plantei” foi concluída.

Em 118 páginas, de agradável leitura, onde é possível conhecer a história deste homem admirável pela sua capacidade de transpor dificuldades e alcançar resultados. Erni Orlando Roos tem na sua infância uma vida parecida com quase todos que viveram no interior em uma época em que sapatos e calça comprida eram luxos que poucos poderiam dar aos filhos. Uma época em que frequentar a escola significava andar quilômetros a pé. Uma época em que as crianças tinham tarefas e responsabilidades como os adultos, e não era por maldade ou exploração dos pais, era sim uma necessidade para a sobrevivência de todos os membros da família.

O empresário que há 52 anos lidera a empresa que leva o seu nome, e que divide o comando administrativo com os filhos Airton Gilmar Roos e Marina Roos Mariano da Rocha, afirma que se sente realizado e tem orgulho de seus três patrimônios: a família (o primeiro), a fazenda e a firma. O Cidadão Honorário de Não-Me-Toque, título recebido no ano de 2009, como reconhecimento das autoridades à contribuição do cidadão e do empresário ao desenvolvimento e contribuição social ao município, ainda quer fazer muito mais. Mas o que tem de diferente esse homem que construiu um império à frente de uma empresa sem deixar de ser uma pessoa simples, de gostar de ser agricultor, e de se relacionar bem com todas as pessoas? Nesta entrevista, Orlando Roos reforça os quatro pilares que sustentam sua vida, de como surgiu a ideia de escrever o livro, e da motivação que tem para trabalhar aos 82 anos de idade.

Esta entrevista não tem a intenção de contar tudo o que tem no livro, para não tirar o gosto de quem aprecia uma bela história, mas de acender ainda mais a curiosidade sobre esse homem de capacidade extraordinária. Quem tem interesse em ter um exemplar pode entrar em contato com a empresa Roos. A tiragem de mil exemplares ainda guarda alguns.

A FOLHA – O senhor conta no livro que nunca havia cogitado a ideia de escrever sua história. O que o fez a tomar essa decisão?

ORLANDO ROOS – Muitas pessoas amigas me diziam que eu deveria contar minha história e deixar registrado num livro, até que me convenci de que seria bom para meus descendentes. Minhas netas sempre gostaram de escutar minhas histórias e pensei que seria bom deixar registrada para que também os filhos delas pudessem saber de onde vieram. Mas não foi fácil. Tinha pouco material registrado – fotos também são poucas. Tinha tudo só na memória, mas foi preciso colocá-las no tempo certo dos acontecimentos, procurar registros. Isso valeu muita pesquisa.

A FOLHA – Ao entregar o livro para seus colaboradores no dia 20 de junho o senhor demonstrou grande emoção e não quis falar. Foi difícil mexer com o passado?

ORLANDO ROOS – Eu passei por grandes dificuldades na minha infância e juventude. Trabalhei muito, desde criança, enfrentei muitos problemas à frente desta empresa para me manter no negócio e muita luta para conseguir ser um produtor de sementes. Também tivemos que enfrentar problemas graves na saúde da minha esposa Warna, vivo momentos muito felizes de realização junto com meus filhos e netas, e tudo isso mexe com meus sentimentos. Foi o motivo de não realizar uma sessão de lançamento. Tenho dificuldade de me expressar em público, sinto uma forte emoção, então decidimos que não teria esse momento de apresentação do livro. Tenho orgulho da minha história, mas não pretendo fazer propaganda dela, apenas contar através do livro para as pessoas que gosto e que tenham interesse em conhecer.

A FOLHA – Ao longo dos 50 anos da Empresa Roos foi preciso tomar importantes decisões que foram decisivas para o sucesso. Como o senhor encara esses momentos?

ORLANDO ROOS – “Um homem de coragem sempre será maioria”. Esta frase do presidente dos Estados Unidos Andrew Jackson (1767-1845) diz bem como enfrentei o problema quando quis começar a produzir sementes. Coragem e segurança de que se está fazendo a coisa certa são decisivas. Na época, as sementes disponíveis no mercado não eram boas e nós queríamos fazer a nossas próprias sementes, mas não era permitido. Erámos muito pequenininhos e tinha muita pressão das entidades que eram as poderosas. Eu enfrentei, persisti, fui atrás até que conseguimos autorização da Comissão Estadual de Mudas e Sementes do Rio Grande do Sul. Cumprimos todas as exigências, que não eram poucas. Mas antes disso levei xingão de autoridades que nem te conto. Conseguimos unir o setor e provocar o interesse em melhorar a qualidade das sementes. Hoje essas entidades que não queriam nosso ingresso na atividade são associadas da fundação de produtores de sementes que eu criei. O Presidente Geisel fez algo muito bom para o desenvolvimento da agricultura, criou os Centros Nacionais de Pesquisas segmentadas por regiões. Aqui nós ficamos com o trigo (Passo Fundo), ai começou a pesquisa para o melhoramento das sementes. Hoje nossa empresa tem até tratamento para as sementes que garante a permanência intacta da semente até 20 dias no solo, aguardando a chuva para germinar. Se não tivesse tomado a decisão que iria produzir nossas sementes, o destino da empresa seria outro. Um homem de coragem sempre é a maioria.

A FOLHA – Desde criança o senhor se mostrou interessado em aprender e crescer. Parece que essa motivação permanece a mesma.

ORLADO ROOS – Desde criança sempre fui muito metido [he, he]. Tinha vontade de crescer de ser alguém. E nunca me faltou visão para os negócios. Sempre gostei de trabalhar e continuo até hoje. Não sei se tem alguém que faz o que faço nesta idade. Não falho um dia. Não consigo ficar e casa. Felizmente a tecnologia veio ajudar. A evolução da agricultura é fantástica, tanto nas máquinas quanto nas sementes. Essa região do Estado é uma das mais produtivas e bonitas do Brasil. Mas a agricultura é uma atividade para profissionais, uma propriedade é uma empresa. Nós estamos à frente dos americanos em termos de capricho na lavoura, porque se eles forem mal, contam com o fundo de apoio que cobre as perdas. Aqui no Brasil o agricultor é por ele mesmo. Nossa empresa também foi se modernizando e contando com pessoas qualificadas. Temos o melhor laboratório de sementes do Brasil, nossos armazéns contam com o que existe de melhor em tecnologia desde a construção até nos equipamentos para garantirmos a preservação da qualidade das nossas sementes. Temos um robô trabalhando no armazém que substitui o trabalho de oito pessoas. Temos mais um sendo instalado e outro para chegar. Assim aumentamos nossa capacidade de atendimento na época do plantio. Nossa capacidade de armazenagem estática é de 8 milhões de sacas de soja, sendo dois milhões em Não-Me-Toque e as demais distribuídas nas onze unidades.

A FOLHA – Alcançar o sucesso tem algum segredo ou é resultado?
ORLANDO ROOS –
Eu sempre digo que um homem digno precisa ter humildade, trabalho, honestidade e persistência. Não da para dispensar um. Eu sempre fiz contas, dede menino. Tem que saber quanto vai custar e quanto pode render. Tem que saber trabalhar com números, ser estratégico. Na nossa empresa nunca tem prejuízo. Tem anos que ganhamos menos, mas nunca perdemos, porque temos o controle dos custos e trabalhamos com capital próprio. Também gostamos de trabalhar em silêncio.
Por exemplo: hoje temos a TMG 7062 – nova variedade de semente de soja resistente à lagarta e à ferrugem. É uma variedade de alta tecnologia, que custa mais caro, mas vai livrar o agricultor de pelo menos quatro aplicações de químicos e das perdas de 4%provocadas pela passagem do pulverizador sobre a planta, além do custo do diesel, da mão de obra. Então o agricultor que sabe fazer negócio leva isso em consideração. Para ter sucesso é preciso trabalhar com números.
Também tivemos persistência, desde o início. Mas teve o episódio das sementes transgênicas que não estava liberada no Brasil e entrou no mercado via clandestina. Teve um ano que não vendemos praticamente nada de semente. Todos queriam plantar a ‘maradona’. Teve gente que pagou R$ 500 por saco de semente que tinha como propaganda uma foto com duas vagens emendadas, apresentando 8 sementes por vagem. Esse ano deu uma seca e as maradonas não produziram nada. Deu o maior prejuízo. Tem gente ainda pagando dívida de oito anos atrás. No ano seguinte vendemos todo o estoque com preço três vezes superior. Aliás, o episódio da invasão na Monsanto, atrasou em dez anos o desenvolvimento da pesquisa no Brasil e o aproveitamento da tecnologia das sementes transgênicas.
Sempre fui muito seguro. Nunca perdi. Só fiz negócio dentro da realidade, nunca atrasei uma conta na minha vida. Nunca deixei de pagar o funcionário um dia depois do vencimento. Lograr alguém, adubo papel, contrabando de semente transgênica, tudo isso passou ao nosso redor. Nunca fiz uma falcatrua em minha vida.
Tenho filhos, já plantei muitas árvores e agora escrevi um livro. Sou um homem realizado!

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