SOJA: Produção x Comercialização

O produtor rural nas últimas décadas tem obtido ganhos exponenciais na produtividade por hectare advindo das novas tecnologias, principalmente da genética e tratos culturais.

Este aumento na produtividade vem atendendo a demanda crescente dos países asiáticos, principalmente da China, que de acordo com o relatório da ANEC (Associação Nacional de Exportadores de Cereais) divulgado neste mês de novembro, somente ela irá importar mais de 100 milhões de toneladas de soja in natura do mundo, representando uma safra brasileira de soja, onde o Brasil será o principal fornecedor na temporada 2016/2017.

No momento somos o país que tem o maior potencial de crescimento em produção e área, pois temos disponibilidade de áreas abertas utilizadas para pecuária e que poderão migrar para lavouras.

Podemos imaginar que o agronegócio, puxado pelo complexo da soja, está em um país a margem daquele que está saindo de uma recessão econômica histórica, dificuldades na criação de empregos, retomada da confiança do consumidor.

Fato que vivemos um momento de grandes produções mundiais seja de soja, milho e trigo e em consequência baixa nos preços das commodities agrícolas. E o que vinha mantendo a rentabilidade do produtor rural brasileiro e regional em alta nos últimos anos?

Nos últimos anos o que nos ajudou a manter no mercado internacional e rentabilizar toda a cadeia era o câmbio que fazia o filtro deixando nossa produção mais competitiva. Este cenário mudou em 2017, o câmbio voltou aos patamares de equilíbrio, a taxa Selic (taxa básica de juros) e a taxa DI (taxa interbancária), também caíram, deixando nossa produção que foi recorde, menos competitiva ou igual ao mercado internacional.

E para emaranhar, o ano de 2017 foi o de menor índice de comercialização antecipada por parte do produtor rural no Rio Grande do Sul, que estava cético aos níveis de preços históricos já praticados no mercado regional.

Neste mês de novembro vimos um índice aproximado 75% comercializado da safra 2016/2017 de soja no Rio Grande do Sul, o que em anos anteriores era muito próximo a 90%, deixando muitos armazéns de produtores, cerealistas e cooperativas cheios de produto.

Neste contexto, vimos o produtor rural em 2017 depreciar suas margens e resultados, postergando financiamentos bancários, pagando juros, e travando o resultado econômico de toda a cadeia de produção sejam tradings players do mercado.

Gostaríamos de convidar todos os agentes do agronegócio para se dedicarem cada vez mais a olhar a demanda mundial, a formação de preço, as diferenças das bases, a produção nacional, a produção total dos principais produtores de grãos como Argentina, Estados Unidos, e tudo aquilo que conseguimos de informações de mercado na palma da mão, mas não podemos esquecer do dever de casa, que é saber qual é o custo de produção e qual o resultado econômico/financeiro que estou buscando da atividade.

E como diz a frase do filósofo alemão Immanuel Kant “…Quem não sabe o que busca, não identifica o que acha…”

 

Por:  Jean Carlos Marin, Técnico em Agropecuária, Bacharel em Ciências Contábeis, MBA em Gestão Empresarial, e Pós MBA em Inteligência Empresarial, Gerente de Originação

Release publicado Revista Momento – NMT

Edição Dezembro 2017

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